Informativo da Secretaria Executiva do PRST

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DA GRANDE OMISSÃO PARA A GRANDE COMISSÃO

Presbitério de Santos - PRST

Imagine que seu vizinho está sempre tendo problemas com o carro dele. Você pode concluir, talvez corretamente, que ele fez um mau negócio. Mas se você descobrisse que, de vez em quando, seu vizinho mistura água na gasolina, com certeza não culparia o carro ou o fabricante pelos problemas mecânicos. Diria que o carro não foi feito para funcionar sob as condições impostas pelo proprietário. E, sem dúvida, aconselharia seu vizinho a usar apenas o combustível apropriado. É possível que, depois de alguns ajustes, o carro voltasse a funcionar bem.
Devemos abordar as decepções atuais sobre a caminhada com Cristo de maneira semelhante. Ela também não foi feita para funcionar com qualquer tipo de “combustível”. Se estamos completamente parados ou andando apenas aos solavancos, e porque não estamos nos dedicando a essa caminhada o suficiente para permitir que eia assuma o controle de toda nossa vida. Talvez ninguém tenha nos explicado o que devemos fazer. Talvez não saibamos bem qual é “nossa parte” na vida eterna. Ou talvez tenhamos aprendido a “fé e prática” de algum grupo, e não os princípios de Jesus. Ou, ainda, talvez tenhamos ouvido algo que está de acordo com os ensinamentos de Jesus, mas tenhamos interpretado incorretamente (um dilema que costuma gerar excelentes fariseus ou “legalistas”— um modo de vida muitíssimo difícil). Ou talvez acreditemos que o preço a ser pago para andarmos no "Caminho" é alto demais e estejamos tentando economizar (completando o tanque de combustível com a “água” do moralismo ou da religião de vez em quando).
Sabemos que o “carro” do cristianismo pode funcionar, e muito bem, em circunstâncias de todo tipo. Vemos isso — ou, pelo menos, quem assim o deseja pode ver — quando deixamos de lado as caricaturas e apresentações parciais e olhamos para o próprio Jesus e para suas várias manifestações em acontecimentos e personalidades ao longo da história e em nosso mundo atual. Ele é, simplesmente, o ponto mais brilhante do cenário humano. Não há concorrência. Até mesmo os anticristãos julgam e condenam os cristãos de acordo com a pessoa e as palavras de Jesus. ele não está 3 escondido, mas deve sempre ser buscado para que possamos perceber sua presença manifesta em nosso mundo. Isso faz parte de seu plano e visa a nosso próprio bem. Se o buscarmos, ele com certeza nos encontrará e, então, nós também o encontraremos de maneira mais profunda. Essa é a existência bem-aventurada do discípulo de Jesus que não cessa de crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3:1 8).
Mas é justamente esse o problema. Quem, dentre os cristãos de hoje, é um discípulo de Jesus, em qualquer sentido substantivo do termo "discípulo"? Um discípulo é um aluno, um aprendiz — um praticante, mesmo que iniciante. O Novo Testamento — que deve ser nosso princípio norteador no Caminho com Cristo, deixa isso claro. Nesse contexto, os discípulos de Jesus são pessoas que não apenas adotam e professam certas ideias como também aplicam sua compreensão crescente da vida no reino dos céus a todos os aspectos de sua vida na terra.
Contrastando com isso, a suposição dominante entre os cristãos professores de hoje é de que podemos ser “cristãos” para sempre sem jamais nos tornarmos discípulos — nem mesmo no céu, pois, afinal, que necessidade teremos de ser discípulos no porvir? Onde quer que estejamos, podemos ver que esse e o ensinamento corrente. E essa é (com suas várias consequências) a Grande Omissão da “Grande Comissão”, em que a Grande Disparidade se encontra firmemente arraigada. Enquanto a Grande Omissão continuar a ser permitida ou nutrida, a Grande Disparidade florescerá — tanto na vida de indivíduos quanto em grupos e movimentos cristãos. Logo, se cortarmos a raiz da Grande Omissão, a Grande Disparidade murchara, como foi o caso tantas vezes no passado. Não é preciso lutar contra ela. Basta parar de alimentá-la.
Jesus nos disse claramente o que devemos fazer. Temos um manual, como o do proprietário de um carro. Ele nos disse que, como discípulos, devemos fazer discípulos — e não convertidos ao cristianismo ou a um tipo específico de "fé e prática". Ele não ordenou que providenciássemos para que as pessoas pudessem “entrar no céu” ou “ter parte nos benefícios” depois da morte, nem que eliminássemos as diversas formas brutais de injustiça, tampouco que criássemos e mantivéssemos igrejas “bem-sucedidas”. Todas essas coisas são boas, e ele falou sobre cada uma delas. Com certeza se concretizarão se — e apenas se— formos (seus aprendizes constantes) e fizermos (outros aprendizes constantes) aquilo que ele ordenou que fôssemos e fizéssemos. se nos ativermos a isso, não importará muito o que mais faremos ou deixaremos de fazer.

Uma vez que nós, seus discípulos, tivermos ajudado outros a se tornarem discípulos (de Jesus, e não nossos), poderemos reuni-los em situações da vida diária, sob a presença sobrenatural da Trindade, formando um novo tipo de unidade social nunca antes visto na terra. Esses discípulos são os seus “chamados”, sua ecclesia. Sua “caminhada” já se dá “nos céus” (Fp 3:20), pois os céus estão operando onde quer que nos encontremos (Ef 2:6). São essas pessoas que podem ser ensinadas a "obedecer a tudo o que eu lhes ordenei" (Mt 28:20). Ao se tornarem alunos ou aprendizes de Jesus, elas concordaram em ser ensinadas, e temos disponíveis os recursos para que isso possa acontecer de forma metódica. O resultado é sempre a vida que "excede todas as expectativas”.

Texto de Dallas Willard. Extraído do livro "A grande omissão" publicado pela editora Mundo Cristão.
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